Beach Wreck: “O mais importante é a malta divertir-se e fazer a melhor música que conseguimos”

Os Beach Wreck são uma das bandas mais interessantes, enérgicas e disruptivas que surgiram nos últimos anos no Barreiro. Com um álbum prestes a sair, que será celebrado na segunda edição do festival que eles criaram, os Beach Wreck não querem ficar por aqui e a tendência é continuar a crescer e evoluir.

Como é que surgiram os Beach Wreck?

Alexandre: Começou comigo, o Tiago, o Bruno e o Catarino, quando andava no 11º ano de Artes na ESSA. Eu já andava a aprender guitarra e inscrevemo-nos no Programa Jovens Músicos, apesar de que muitos de nós só começamos realmente a aprender durante os ensaios que começámos a ter. E isso foi a parte mais fixe. Ao fim de cinco ensaios, o Tiago saiu e ficámos só os três. Demos um primeiro concerto aqui na Locomotiva, e na véspera até estávamos a escrever músicas para termos mais faixas para tocar. Depois, em 2019, fui para Inglaterra, o COVID chegou alguns meses depois e a coisa ficou parada durante algum tempo.

Bruno: Sim, e durante o COVID eu comecei a aprender guitarra, deixei a bateria e foquei-me na guitarra. Tinha algumas ideias para músicas e também queria compor. Senti que tinha mais voz com a guitarra. E, por isso, precisávamos de um baterista.

Alexandre: Sim, foi aí que depois entrou o Artur para a bateria. E assim que regressei, a banda voltou à vida com os quatro. O que também ajudou foi o facto de eu já ter alguns contactos por causa do meu pai, que é o Luís Gouveia dos Monkey Cage, pelo que foi relativamente fácil conseguir concertos na Gasoline e assim. Felizmente, as pessoas gostaram de nós e conseguimos vários concertos assim. Neste momento, estamos a terminar o nosso álbum.

O cantar em inglês foi algo pensado ou foi até uma coisa natural?

Catarino: Acho que foi um pouco dos dois. As nossas principais referências são estrangeiras e a nossa ideia sempre foi fazer música que pudesse ser ouvida lá fora.

Alexandre: Eu tenho mais facilidade em escrever em inglês. Escrever em português é mais difícil, apesar de ser mais bonito. O inglês acaba por ser mais energético, e enquadra-se melhor no som da banda. E claro, cantando em inglês, conseguimos mais facilmente sair e tocar lá fora.

Essa ambição de ir lá para fora e tentar levar a coisa mais a sério está mesmo nos planos? Serem músicos profissionais?

Alexandre: Para mim, o mais importante é divertirmo-nos e fazer a melhor música que conseguimos. Claro que existe o sonho de tocar para milhares de pessoas, mas também não vivemos com essa obsessão. E como temos sentido o crescimento da banda e temos tido um feedback excelente. O sentimento de crescimento ainda não matou o sonho, que é quando muitas bandas acabam.

Bruno: Acho que acaba por estar sempre no nosso subconsciente, porque escrevemos a nossa música, que dá um gozo excelente, e depois recebemos boas críticas das pessoas. E ficamos sempre a pensar que sim, podemos ir mais longe.

Alexandre: Acho que os concursos também nos deram um ego que não devíamos ter.

Participaram em cinco concursos de bandas e ficaram sempre nos lugares de cima?

Alexandre: Ficámos sempre no top 2. Os que não ganhámos, ficamos apenas atrás dos Objecto Quase. Acaba por ser mais uma prova de que o nosso esforço está a ter algum resultado.

Têm também o álbum a sair muito em breve, certo?

Alexandre: Sim, a ideia é sair agora nos primeiros dias de novembro. Está praticamente pronto. Mas é engraçado porque, nós agora ouvimos este álbum, e achamos que já temos temas novas que são melhores do que os que estão aqui. É um sentimento interessante.

Artur: Sim, nós continuamos a crescer como artistas e estamos sempre com muita vontade de oferecer novas e melhores músicas às pessoas. Mas eu acho que este álbum também é muito bom. E o próximo será ainda melhor.

Alexandre: Sim, nós nunca estamos parados. Estamos sempre a tentar crescer e evoluir. É como se diz “o artista nunca está satisfeito com o que faz”. E acho que sentimos muito isso.

Catarino: Nós estamos sempre a fazer músicas novas em todos os ensaios. Estamos sempre a criar e tentar fazer coisas novas.

Finalmente, como surgiu então a ideia do Beach Wreck Fest?

Catarino: Fizemos a primeira edição o ano passado e a ideia era fazer uma edição todos os anos.

Alexandre: O festival foi criado para anunciarmos o lançamento do single, agora esta segunda edição marca a chegada do álbum e acho que se para o ano não tivermos assim nada para assinalar, fazemos à mesma porque continuamos a querer mostrar novos artistas ao Barreiro. O ano passado correu bastante bem, tivemos duas bandas e um Dj set, com mais de 100 pessoas a assistir na Gasoline. Este ano temos os Menta, que são de Lisboa, os setubalenses Orange Buzz Band e os Obejcto Quase, que já os conhecemos dos vários concursos e são muito bons. Por isso, vai ser uma edição muito boa e esperamos que a malta goste.

Catarino: Sim, a nossa ideia foi sempre mostrar bandas novas, nada contra as bandas mais velhas e com mais anos de vida, mas gostamos de mostrar coisas novas que ouvimos, gostamos e queremos partilhar com mais pessoas. Até para incentivar gerações novas a tocarem e fazerem coisas.

Alexandre: Sim, se esta edição correr bem, para o ano somos capazes de ter um palco no exterior, o que seria excelente.

Bruno: E tem de haver um esforço local, para conseguirmos mostrar coisas novas, de outra forma somos engolidos e é difícil chegar a mais pessoas. Por muito que coloques as tuas cenas num Spotify, estás lá a competir com bandas gigantes, só por si, ninguém te vai ouvir.

Alexandre: É isso. É muito difícil ir tocar a sítios novos, onde não te conhecem, por mais e-mails e chamadas que faças, ou tens a sorte de ter uma boa rede de contactos, que nós até temos alguns, ou então é mesmo complicado conseguir mostrar a tua música. Por isso, festivais como este, existem cada vez mais para a malta conseguir conhecer cenas novas e locais.

 

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